domingo, 10 de junho de 2012

Domingo, 10 de Junho de 2012

Últimos militares angolanos deixam a Guiné-Bissau


Os últimos 96 militares da missão de Angola na Guiné-Bissau (Missang) deixaram hoje Bissau, pondo termo à cooperação técnico-militar do governo de Luanda.
Com o fim da missão ficam também cancelados os apoios que Angola estava a dar à Guiné-Bissau, nomeadamente na construção e remodelação de infraestruturas de defesa e segurança.
«Todos os financiamentos que tinham sido preparados para o projeto militar com a Guiné-Bissau estão interrompidos», disse hoje aos jornalistas, na sede da Missang, o encarregado de negócios de Angola em Bissau, Luís dos Santos.
O governo angolano interrompeu a Missang (missão técnico-militar na Guiné-Bissau de apoio à reforma do setor de Defesa e Segurança) na sequência de atritos com as forças armadas guineenses.
É, segundo Luís dos Santos, uma «saída triste», porque acontece «num momento de grandes problemas» na Guiné-Bissau.
«A Missang esteve cá ao abrigo de um acordo entre os dois países e a sua interrupção acontece por acontecimentos políticos internos», disse o responsável, acrescentando que ainda assim a missão angolana «cumpriu o seu papel» e sai «com o sentimento do dever cumprido».
As últimas componentes da Missang, militares e material, partiram em três aviões angolanos, um Boeing e dois Ilyushin (de carga) e a saída foi supervisionada pela ECOMIB, Força da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) que está no país, na sequência do golpe de Estado de 12 de abril passado.
Gnibanga Barro, o chefe da ECOMIB, esteve no aeroporto de Bissau a despedir-se dos últimos homens da Missang.
A força angolana, constituída por cerca de 200 militares, estava num antigo hotel de Bissau, um edifício comprado pelo governo de Angola e que a partir de segunda-feira passa a ser a embaixada de Angola na Guiné-Bissau.
Lusa

Desafios contemporâneos da África O legado da Amilcar Cabral

Desafios contemporâneos da África
O legado de Amílcar Cabral
Lopes, Carlos

Sinopse
Este livro, constituído de um conjunto de artigos escritos pelos principais especialistas na obra de Amilcar Cabral, é um convite à reflexão sobre a complexa situação do continente africano. Mas por que voltar ao pensador e revolucionário morto em 1973? A resposta está na importância de sua obra, a qual abre caminhos para compreender a situação atual da África, que se livrou do colonialismo, mas mergulhou em infindáveis lutas armadas sem ideologia que não podem dar respostas a seus problemas políticos, sociais e econômicos. “É justamente esta a razão pela qual é tão oportuno que aqueles que admiram Cabral paguem a ele o tributo de se aprofundar na difícil trilha da compreensão dos fenômenos atuais”, escreve o guineense Carlos Lopes organizador deste livro.
Tal compreensão passa pela obra desse pensador, considerado um dos mais inovadores e criativos já nascidos na África e um herói da emancipação do continente – Cabral foi fundador e líder do movimento de independência na Guiné-Bissau e Cabo Verde e um ativo participante da luta armada contra o colonialismo português nos anos 1970.

Cada um dos artigos reunidos neste livro reflete um ângulo diferente da obra do pensador. A apresentação, escrita por Peter Karibe Mendy, enfoca a situação da Guiné-Bissau colônia, que levou Cabral e seus camaradas a ingressarem na luta armada pela libertação dos guineenses e também dos cabo-verdianos. AlexisWick, Lars Rudebecke Ibrahim Abdullahfalam de sua originalidade ao tratar conceitos complexos com simplicidade e pragmatismo. Georges Nzongola-Ntalaja, John Fobajonge Carlos Lopes concentram-se na relevância das formulações de Cabral para a compreensão de dilemas persistentes, como a construção do Estado, o pan-africanismo e as dimensões éticas. Já Abebe Zegeyeaborda as ideias do intelectual sobre cultura num texto sobre sua influência na literatura africana.

Esta obra é, enfim, uma grande fonte de informações sobre o pensamento e a personalidade de Amílcar Cabral, que contribuiu de modo expressivo e definitivo para o processo que culminaria na independência das colônias portuguesas na África e representa uma chave para a compreensão daquele continente nos dias atuais.
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Preço:
R$46,00


ISBN: 9788539302291
Assunto: História
Idioma: Português
Formato: 14 x 21
Páginas: 216
Edição:
Ano: 2012
Acabamento: Brochura
Peso: 270g
Sobre o autor
Carlos Lopes

Diretor político do ex-secretário geral da Onu Kofi Anann, é sub-secretário geral da Onu desde 2006 e assume em julho os cargos de secretário geral adjunto e secretário executivo da Comissão Econômica para a África da entidade. É autor também dos livros Cooperação e desenvolvimento humano e Desenvolvimento para céticos, publicados pela Editora Unesp.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

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Força africana de ocupação já está instalada em Bissau

Desembarque de 600 militares foi concluído no domingo
Uma força de militares de ocupação e polícias que os países da África Ocidental enviaram para a Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado de Abril, instalou-se no campo de Cumeré, 35 quilómetros a norte da capital. Soldados nigerianos à chegada a Bissau, para integrar força da CEDEAO
O desembarque de cerca de 600 elementos, maioritariamente nigerianos e senegaleses, foi concluído no domingo. “Os nossos efectivos estão instalados”, confirmou à AFP um responsável da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental).

O passo seguinte, que terá começado ainda nesta terça-feira, é a saída do país da Missang, missão militar angolana, que esteve no último ano na Guiné. “Pode demorar quatro a cinco dias”, declarou Ansumane Ceesay, representante da CEDEAO em Bissau.

Os militares que afastaram o primeiro-ministro e vencedor da primeira volta das eleições presidenciais, Gomes Júnior, e o Presidente interino, Raimundo Pereira, justificaram o golpe com um alegado acordo entre o chefe do Governo e Angola para aniquilamento das forças armadas da Guiné. O efectivo angolano, objecto de informações contraditórias, foi quantificado entre duas centenas e as seis centenas de militares.

Após o golpe, por acordo entre a CEDEAO, golpistas e partidos da oposição foram nomeados um Presidente, Serifo Nhamadjo, e um designado Governo de transição. O PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), principal força política do país, liderado por Júnior, e a generalidade das organizações internacionais reclamam o regresso do Governo constitucional.

Um ex-chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, um ministro e o presidente da comissão eleitoral, que estavam refugiados nas instalações da União Europeia em Bissau e, no fim-de-semana, saíram para a Gâmbia, via Casamansa, estão sob custódia das autoridades deste país.

Induta, afastado em 2010 por António Indjai — considerado o líder do golpe do mês passado —, Fernando Gomes, que ocupava a pasta do Interior, e Lima da Costa, que conduziu o processo eleitoral, “estão retidos por razões de segurança e prestes a ser ouvidos”, disse à AFP um porta-voz do Ministério da Imigração.
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Bispo-auxiliar de Bissau, Governo não foi legitimado pelo Povo

Bissau - O bispo-auxiliar de Bissau considera que o novo Governo na Guiné-Bissau não foi legitimado pelo voto popular e é preciso que haja um diálogo com as forças guineenses que estão no “exterior” para que seja encontrada uma solução política para o país.
D. José Lampra Cá considera que o país vive uma situação “atípica” na sequência do golpe de Estado que afastou o presidente Interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.
Em entrevista à emissora católica portuguesa Rádio Renascença, o porta-voz da Igreja guineense diz que é preciso reencontrar a unidade nacional e mostra-se preocupado com a degradação da situação económica, nomeadamente o aumento do custo de vida.

Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Opinião : golpismo ou democracia por JOSÉ MANUEL PUREZA

Diário de Notícias
JOSÉ MANUEL PUREZA

Guiné-Bissau: golpismo ou democracia

por JOSÉ MANUEL PUREZA Hoje
Há uma maldição guineense? A sucessão de golpes e tentativas de golpes de Estado e eliminações de personalidades políticas parece avalizar essa leitura. Instalou-se no senso comum a tese de que a Guiné-Bissau está condenada a uma turbulência política e militar sem fim. Naquela terra, a paz não será senão a preparação da guerra que vem.
E, no entanto, talvez a única maldição guineense seja a do esquecimento e invisibilidade. Fosse a Guiné no Médio Oriente ou no Magreb e a história seria seguramente outra. Até agora, o único motivo de interesse que tem sido reconhecido à Guiné-Bissau parece ser o da sua localização estratégica para os fluxos de narcotráfico entre a América Latina e a Europa. Ele tem acentuado todos os fatores de trivialização de uma cultura de tomada de poder pela força na Guiné-Bissau.
Entretanto, e por paradoxal que seja, a Guiné tornou-se foco de disputa por agendas estrangeiras. Desde a oportunidade de o Senegal, com o envio de tropas, desativar o apoio aos rebeldes de Casamança até à invocação, por Angola (com os olhos em negócios como o da bauxite), do seu sucesso numa efetiva reforma do setor de segurança guineense - que a União Europeia financiou longamente sem qualquer concretização, como é manifesto - passando pela vontade da Nigéria de travar qualquer ascendente angolano na região, as razões para intervir na Guiné multiplicam-se. Mas os interventores refugiam-se em roupagens multilaterais: os interesses do Senegal, da Nigéria ou outros são veiculados pela CEDEAO, enquanto a estratégia de Angola tem o rótulo oficial da CPLP.
O golpe de 12 de abril só se compreende à luz desta combinação perversa entre poder dos barões da droga e choque de estratégias exteriores. A interrupção do processo eleitoral na véspera da segunda volta, quando tudo apontava para a vitória de Carlos Gomes Júnior, favorável a uma aproximação da Guiné com Angola, tem uma leitura clara. Reforçada aliás pelo golpe em cima do golpe perpetrado pela CEDEAO, ao impor a validação de um governo de transição contra a reposição da legalidade constitucional democrática.
Pelo meio fica o povo da Guiné. Um povo supérfluo para os interesses estratégicos. Sintomaticamente, conhecemos da Guiné os golpes e contragolpes mas não se noticia a deterioração dramática da situação humanitária, com o não pagamento dos salários, o ano escolar perdido, a campanha do caju (que é o principal sustento das famílias) comprometida pondo em causa a segurança alimentar da grande maioria da população pobre, a paralisia económica e a subida exponencial do preço dos bens de primeira necessidade, a situação de desesperança nas camadas mais jovens em resultado da associação entre desemprego e privação, a repressão de manifestações contra os golpistas e a circulação de listas negras para eliminação de quem seja incómodo.
É em nome das mulheres e dos homens da Guiné sem rosto nem nome nos grandes meios de comunicação internacionais, que se impõe uma posição de firmeza de quem se quer amigo da democracia e dos direitos humanos repudiando todos os golpes e ameaças e apoiando a prevalência da soberania popular. Foi essa firmeza radicada em princípios e não em alianças de conveniência momentânea com atores locais que faltou ao longo destes anos, diante da onda de assassinatos, de golpes e de chantagens que marcaram todos os dias da vida dos guineenses. Apesar disso, nunca é tarde para se ser digno e querer para esse povo o direito de decidir em paz, em democracia e em liberdade o seu futuro.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Reunião de CEDEAO decide

Presidente de Transição sai da ANP

cimeira de DakarA Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) decidiu recuar da sua
posição inicial, anunciada no encontro de Banjul, relativa a assumpção de Raimundo Pereira à Presidência da República de Transição, tendo o grupo de contacto dessa organização para a Guiné-Bissau indicado ontem, em Dakar, que o novo Presidente da República de Transição será eleito dentro da Assembleia Nacional Popular.
Segundo a notícia avançada pela RDP-Africa, nessas eleições, a CEDEAO indica que a segunda personalidade mais votada assumirá o parlamento durante a fase de transição e far-se-á a escolha do Primeiro-Ministro numa pessoa de consenso, devendo-se formar um Governo Consenso e de Base Alargada.
A CEDEAO que vai impor sanções aos golpistas remete hoje esta decisão ao Comando Militar para fazer valer a decisão saída do Grupo de Contacto dessa organização que integra os Chefes de Estado e Governos de Senegal, Nigéria, Gambia, Guiné-Conakry, Cabo Verde e Togo e garante que a Força de Interposição estará no país para assegurar a saída da MISSANG.
A mesma estação emissora adianta que o novo Presidente da República de Transição e o novo Primeiro-Ministro de Transição não poderão concorrer as próximas eleições gerais do país, previstas daí a um ano.

União Europeia sanciona seis individualidades
O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, o Tenente-General António Indjai, encabeça a lista de individualidades alvo das sanções da União Europeia, que inclui outros cinco militares considerados responsáveis pelo golpe de Estado.
Um dia depois de a UE ter aprovado sanções contra os líderes do golpe militar de 12 de Abril passado, a lista de seis pessoas que passam a ficar impedidas de entrar em território comunitário e cujos bens são congelados foi hoje publicada no Jornal Oficial da União Europeia e inclui ainda os generais Mamadu Ture "N'Krumah", Augusto Mário Có, Estêvão na Mena, Ibraima ("Papa") Camará e o tenente-coronel Daba Na Walna.
Enquanto relativamente a estes cinco militares o Jornal Oficial da UE limita-se a assinalar que os mesmos pertencem ao comando militar que assumiu responsabilidade pelo golpe de Estado.
A agência Lusa refere que quanto a Indjai a União Eurpoeia indica que este chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas já esteve pessoalmente envolvido no planeamento e liderança da insubordinação militar de 1 de Abril de 2010, tendo agido de forma a pressionar o Governo a nomeá-lo para a liderança das Forças Armadas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Guiné-Bissau Está de Luto

O Presidente da República de Guiné-Bissau faleceu hoje 09/01/2012, Malam Bacai Sanhá
vitima de uma doença prolongada em Paris França, no hospital Val- de Grace.